Corpo de neonazista é enterrado em antigo túmulo de musicólogo judeu na Alemanha

Por adm em 13/10/2021 às 09:28:27
Cerimônia ocorreu na presença de vários neonazistas — muitos deles condenados pela Justiça. Responsáveis pelo cemitério reconheceram o erro e disseram que situação precisa ser corrigida. Túmulo de Max Friedlaender, um musicólogo judeu que está enterrado no Suedwestkirchhof Stahnsdorf, na Alemanha, em foto de 12 de outubro de 2021. Nazista que negava o Holocausto foi enterrado no antigo túmulo do musicólogo judeu.

Jens Kalaene/dpa via AP

O corpo de um neonazista foi enterrado no túmulo do musicólogo judeu Max Friedlander em Berlim, capital da Alemanha, o que gerou indignação e uma reclamação formal do responsável pela luta contra o antissemitismo no país.

A urna com as cinzas do neonazista, que negava o Holocausto, foi enterrada no sábado (9) no antigo túmulo de Friedlander, no cemitério protestante de Stahnsdorf.

Apesar da presença da lápide do musicólogo, que morreu em 1934, as autoridades religiosas protestantes responsáveis pela gestão do cemitério, que fica no sul da capital alemã, aprovaram o sepultamento.

A cerimônia ocorreu na presença de vários neonazistas — muitos deles condenados pela Justiça, segundo a imprensa alemã.

Túmulo de Max Friedlaender, um musicólogo judeu que está enterrado no Suedwestkirchhof Stahnsdorf, na Alemanha, em foto de 12 de outubro de 2021. Nazista que negava o Holocausto foi enterrado no antigo túmulo do musicólogo judeu.

Jens Kalaene/dpa via AP

Durante o funeral, um véu negro escondeu a lápide do musicólogo e diante dela foram colocadas uma foto do neonazista e várias coroas mortuárias, algumas decoradas com uma cruz de ferro.

O Holocausto foi o genocídio de judeus cometido pelo regime nazista que matou cerca de seis milhões de pessoas, e a cruz de ferro é uma condecoração militar que passou a ser utilizada como um símbolo nazista.

Reação da sociedade

O comissário de Berlim para a luta contra o antissemitismo, Samuel Salzborn, apresentou uma queixa por "se perturbar a paz dos mortos" e "denegrir a memória dos falecidos" e também exigiu que a urna neonazista seja rapidamente mudada de local.

Diante da revolta causada pelo sepultamento, o bispo da Igreja Evangélica de Berlim-Brandenburgo, Christian Stablein, reconheceu que "o enterro de um negacionista no túmulo de Max Friedlander foi um erro terrível e um acontecimento chocante".

Stablein disse também que a situação precisa ser corrigida.

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Fonte: G1

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